Eu ator, eu autor e a sociedade contemporânea.

A Dramaturgia e o fazer Teatral como mecanismos para a compreensão dos papeis que as emoções desempenham, na sociedade contemporânea.

A humanidade está cada vez mais solicitada a descobrir uma mágica, uma cura milagrosa para os problemas entre os relacionamentos humanos. Procuramos incessantemente recursos para alcançarmos os ideais de paz, de justiça, de liberdade. Tentamos abrir as portas para um mundo onde esses ideais sejam alcançados, promovendo uma forma mais profunda e harmoniosa do desenvolvimento de uma sociedade equilibrada. E eu, mais uma vez, venho falara do Teatro, desta vez não como exercício de autoconhecimento, mas como mecanismo de promoção da construção de relações saudáveis numa sociedade cada vez mais, acelerada e mirada no individualismo.
As obras dramatúrgicas teatrais sempre tiveram como objetivo, o esforço em dar apoio às relações interpessoais a fim de melhor compreender o entorno social. A dramaturgia tem seu papel crítico, educativo, reflexivo e, na maior parte das vezes (refiro-me aqui as obras dramatúrgicas comprometidas com o fazer teatral), promover uma pausa em seu público, um instante de atenção, para que possam sair da sala de espetáculo com uma nova ideia, uma nova perspectiva acerca do tema abordado.
Pode-se falar de paz, enquanto a cena grita guerra. De amor, enquanto há lágrimas. De perdão, quando seus conflitos amontoam desavenças. De igualdade. De família, casamento, filhos, política e tudo mais que necessitamos expurgar como sociedade adoentada, que quer paz, mas não sai da sala, não se levanta da sacristia, não deixa a voz sair.
Vejo nesta arte viva diversos caminhos. Vejo a oportunidade que o autor tem de produzir através de seu olhar a mensagem para um tema relevante, da chance das produtoras resgatarem obras que se perpetuam em sua problemática por conta de uma sociedade com seus dramas não sanados, do aprofundamento de um elenco em estudar seu texto e a escolha de uma direção sobre a forma pela qual a mensagem será transmitida. Isso tudo, sendo bastante razoável e não aprofundando nas demais beneficies da montagem dramatúrgica.
Estamos em contato direto com uma realidade social dura, intolerante e apesar de seus inúmeros esforços, ainda é vencida pelo desamor, desajustes sociais, desencontros, solidão… Em “O Método”, Stanislawisky, que diz que a arte dramática é a capacidade de representar a vida do espírito Humano em público e em forma artística.
“O teatro possibilita a vivência de outras identidades por meio da representação ou da criação de personagens. Nele podemos vivenciar momentos que pertencem ao cotidiano de outras pessoas. Podemos experimentar, por meio de uma construção lógica, o desenvolvimento de uma história- real ou metafórica- que fale de cada um de nós, daqueles ligados a nós de alguma maneira, de amigos ou vizinhos, de nosso país, de inimigos… Enfim, ao nos colocarmos no papel do outro, o teatro nos dá a possibilidade de conhecer melhor a nós mesmos e aos “outros” que nos rodeiam, e de aprender a abarcar as diferenças em vez de tentar eliminá-las. Pela arte de representar o outro, podemos refletir sobre quem somos e sobre o papel que representamos hoje neste nosso mundo. ”
(FERREIRA, 2001)
Com então, não alimentar esta arte? Sendo um agente desta cultura, inclusive como plateia. Pois o teatro é inexistente sem a plateia!

Um VIVA ao Teatro! Uma das primeiras formas artísticas da expressão humana.

Que seja eterna, reveladora, transformadora e imortal!

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